terça-feira, 17 de outubro de 2017

MEMÓRIAS DE MARIA - TEXTO - 3

O MEU PRIMEIRO NAMORO
Memórias de Maria
Por Maze Oliver
Após alguns meses indo à escola com o mesmo vestidinho azul, iniciaram as perguntas maldosas das filhinhas de papai que tinham vários guarda-roupas e trocavam-os a cada estação do ano.Cada aula era um verdadeiro desfile de moda, inspiradas nas viagens que faziam de férias com suas famílias ricas.
- Você não tem outros vestidos??? Vem sempre com esse!
Comecei a ficar constrangida e a partir daí, o dia de ir pra escola sem a farda, virou um verdadeiro tormento. Já ia dormir pensando. Então resolvi usar mais o segundo vestido, que era um de estampa miúda, de fundo vermelho, que realçava bem minhas curvas.
Com esse vestido conquistei aos doze anos meu primeiro namorado. Ele era lindo, de cabelos lisos e negros. Um dos garotos mais lindos e mais cobiçados do bairro. De família rica, andava sempre muito bem vestido, um charme! Senti uma espécie de poder ainda não experimentado! A própria mulher maravilha... Não conseguia pensar em outra coisa. Eu, logo eu, consegui marcar um encontro com o garoto mais lindo, mais charmoso! Todas aquelas garotas agora iriam ficar com inveja. Gente, namoro adolescente realmente atrapalha a escola! Não sabemos nessa idade lidar com as paixões, tudo fica muito maior. Na verdade, paixão é um sentimento difícil de lidar em qualquer idade, convenhamos!
No dia do encontro, que foi num arraial da igreja católica, tudo estava mais bonito para mim. As barracas enfeitadas com bandeirinhas coloridas. O animador lendo aqueles recadinhos românticos no microfone, tendo como fundo musical os sucessos nordestinos da época. As pessoas passeando, os namorados de mãos dadas. Era junho de 1972, Rio Branco muito diferente de hoje, não havia a violência desenfreada que vivemos atualmente; as pessoas iam e vinham de seus lazeres com alegria, tranquilas. Eu mesma, fui com uma tia mais nova que eu ao Arraial, minha mãe deixava. Ela por ser mais nova dois anos, acreditava nos meus devaneios. Na hora em que Joelzinho chegou minha tia foi para barraca da pescaria. Querem saber como foi o encontro????
Aguardem, daqui a pouco eu concluo... Não esqueçam...Estou doente e de vez em quando preciso parar.... Tomar rémedio.... RS.
Gente, meu sonhado namoro durou contados 15 minutos. Lá se foram todos os meus sonhos com beijos, olhares românticos... Sim, na época da minha juventude, os namoros existiam. Eram só​ beijos e olhares...No máximo uma ou outra carícia mais indiscreta, do investidor masculino, que eram seguidas de um NÃO bem grande e sonoro!
A culpa não foi do garoto! E foi, né??? Eu nunca tinha namorado, era marinheira de primeira viagem. Eu primeiramente fiquei olhando pra ele...Ele...Gente, como era lindo, assim de pertinho! Então fiquei muda! Ele começou a falar comigo...Mas eu nem ouvia... Só olhava... Olhava...Olhava...Sei que falou muitas coisas....Esperava eu responder...Falava mais! Como era lindo!!! Quanto mais ele falava mais eu achava ele lindo!!! Ele me pediu um beijo! Então eu que estava muda...Virei estátua!!! Acho que é por isso que gosto de estátuas até hoje!!!! Sabem o que ele fez???? Virou as costas para mim e foi embora!!!! Nunca mais olhou na minha cara! Essa foi minha primeira decepção.
ASSINADO MARIA.

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Bjokas no coração!

sábado, 14 de outubro de 2017

MEMÓRIAS DE MARIA - TEXTO 2

MEMÓRIAS  de MARIA
Por Maze Oliver

PRIMEIRA ESCOLA DE MARIA



      Eu era bem pequena, sete anos, na minha infância as crianças entravam na escola nessa idade. Não lembro se a escola era madeira ou alvenaria, mas era pequena, uma sala só! A professora também uma só. Não lembro o nome dela, que pena! Minha mãe disse-me que o nome dela era Alice. Não precisa nem dizer que era na Zona Rural. Sim, porque morávamos na colônia,  muito distante, alguns quilômetros da escola. Eu gostava muito de ir à aula. Era uma verdadeira aventura! 
      Como eu não podia ir sozinha, meus pais me mandavam pra outra colônia onde morava um tio meu com sua família: A tia Jô e o Tio Daniel. Para chegar na tal colônia dos meus tios, a minha avó paterna me levava por dentro da mata, ainda de dia. Esse passeio durava algumas horas. Ouvíamos o canto dos pássaros na mata. Era lindo demais! Ela ia me falando o nome deles e contando histórias dos bichos da floresta: de onça, de cobra, falava até dos seres encantados como Curupira, o Mapinguari e outros seres do nosso folclore. Também contava histórias de reis, rainhas e bruxas. Eu ouvia com muito interesse e nem tinha medo. Aliás, eu só tinha medo mesmo era quando meu pai conversando com seus amigos, falava numa tal de reforma agrária, ele dizia que quando ela viesse iria vir destruindo tudo!  Fazendo rico perder suas terras e que iam fazer de tudo para que  ela nunca viesse!!! Então, imaginava essa reforma como um monstro enorme e muito feio e que tinha um grande furor! Quando eu escutava falar dela, custava a dormir,  já que meu pai falava muito sobre isso, pois sonhava em ter um pedacinho de terra seu mesmo,  para plantar e para colher.  Nessas noites,  eu me cobria pé e cabeça com medo da reforma agrária vir me pegar! É que a criança leva ao pé da letra, tudo o que o adulto fala e fantasia o que ouve. Por isso,  não podemos conversar coisas sérias na frente de crianças, pois nunca se sabe o que ela irá imaginar! O tempo passou, eu cresci, meu pai faleceu e essa tal reforma agrária nunca veio!

      Ao chegar na colônia dos meus tios, minha avó voltava pra casa e eu ficava lá, para no outro dia ir com meus primos à escola. Eram vários primos e primas. Quando íamos dormir eram muitas as  histórias que ouvia:  dos acontecimentos do dia, das peraltices, das caçadas, das pescarias. Então, até a hora de dormir realmente  era uma risadagem só!

   Antes de amanhecer o dia, no primeiro canto do galo já estávamos de pé. Tomávamos o quebra jejum (café, para nós da cidade) com leite tirado da vaca. Minhas primas arrumavam nossas lancheiras, com farofas de ovos, de carne, de jabá. Tudo ia em latas de leite, essas eram as nossas lancheiras! Saíamos ainda escur, pois a escola era longe! Pegávamos a estrada e íamos andando, correndo, cantando e conversando. Quando chegávamos à escola, sempre atrasados, o sol já esquentando o lombo, como dizia meu pai, a professora já estava dando tarefas,  mas éramos bem recebidos​ por conta da distância em que morávamos. Foi nessa escola que recebi as primeiras lições e estudei o ABC,  ainda na velha carta de ABC, tão temida por muitos.Na turma,  tinha alunos de várias idades, era uma turma mista, alguns estudavam as letras enquanto os maiores faziam contas. A  professora polivalente (COITADA!),  tinha que dar conta de vários conteúdos, contextos e disciplinas ao mesmo tempo. Hoje ainda existem esse tipo de escola pelas colônias e zonas rurais do estado.

      Na hora do lanche comíamos animadamente nossas farofas e as onze horas retornávamos o caminho de volta pra casa. E até hoje recordo uma das brincadeiras que fazíamos nesse caminho de volta,  que era bater numa plantinha que tinha na beira de estrada e dizer: Maria, fecha a porta que teu pai morreu! Surpresa mesmo fiquei, na primeira vez que vi a planta se fechar todinha,  diante dos meus olhos curiosos. Então pensei: as plantas são vivas de verdade, elas se mechem! E os carrapichos? Era uma festa! Brincávamos da manja e correndo, os bichinhos grudavam nas nossas roupas e até nos nossos cabelos. Mas para mim  tudo era festa, fazia até desenhos, com aquelas bolinhas que havia trago na roupa.
      Chegava em casa já quase no meio da tarde. E pouco tempo depois,  já era hora de voltar de novo com minha avó,  no caminho da mata para a casa de meus tios esperar pela aula do outro dia. 

      Para minha vida de criança essa foi uma das melhores aventuras que vivi na minha infância. 
ASSINADO MARIA


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sexta-feira, 2 de junho de 2017

MEMÓRIAS DE MARIA - TEXTO 1

O VESTIDO AZUL DE MARIA

por Maze Oliver


 VESTIDO PREFERIDO E ÚNICO!


Imagem apenas  ilustrativa da NET 
   Na minha adolescência morei em vários lugares.Minha família não tinha posses. Minha mãe modelista e meu pai, um construtor de casas, nem sempre tinha emprego. Minha família deixou o interior para​ morar na cidade para que eu pudesse estudar. Lembro-me bem,  estudava em colégio do estado, porém administrado por religiosas. e nessa época o meu guarda-roupa era bem simplório.

       Eu só tinha dois vestidos de festas que minha TIA RICA (Jú), havia me doado. Minha mãe os reformou, recriando modelitos da moda daquela época.Um deles, o preferido,  com uns folhos sobrepostos, de cor azul céu! Eu o adorava e o vestia só em ocasiões especiais, mas no colégio sempre havia aqueles dias  em que podíamos ir sem farda! E nestes dias, eu aproveitava para vestir meu lindo vestido azul céu, de folhos, me sentindo uma verdadeira princesinha dos contos de fadas que minha amada avó, por parte de pai, me contava quando criança! E no início arrancava olhares curiosos dos rapazinhos da escola, pois aos doze anos, já tinha um lindo corpo de violão que me havia gerado o apelido de MOCINHA! Eu não gostava muito do apelido, mas não falava nada. Me sentia feliz com os olhares interessados dos "meninos".

        Mas para quem só tinha dois vestidos para festas essa história de felicidade não iria muito longe... Principalmente porquê o colégio era de clientela mista e nele estudavam os filhos da classe média dos bairros adjacentes, os filhos de fazendeiros e médicos.  Já dá para imaginar que depois de alguns meses eu não teria  outros vestidos para exibir e vivendo numa comunidade consumista e capitalista, iria surgir o primeiro problema.






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                             Bjokas no coração.


domingo, 14 de maio de 2017

O QUE É SER MÃE?

Mãe

Por Maze Oliver

Mãe além de ser geradora de vida é doadora de vida. Quando um filho nasce, a vida da mãe volta-se totalmente pra ele. Amamentação, cuidados, banho.Toda o rotina da mãe transforma-se na rotina do filho. São inúmeras madrugadas​ em claro, cochilos e andar muitas vezes "sonâmbulo" para troca de fraldas, aconchego e acalento, mesmo quando vão crescendo. 

Em suas doenças, sucessos ou aflições durante a vida, a mãe sempre estará do lado do filho em todos esse momentos. Mãe parece sombra que acompanha a dor, o amor ou a aventura do filho, muitas vezes calada para proteger sua cria. 

Quando este é acometido de qualquer ameaça, ela vira advogada pois levanta a voz em sua defesa e mesmo estando ele errado irá procurar um pequenino acerto, mesmo que minúsculo para defendê-lo de tudo e de todos.

Nas doenças é médica, trazendo seus chás e banhos para amenizar as dores físicas dos seus.
Mãe é professora, mestre, doutora da vida ensinando as mais sérias lições de bem. Pois qual é a boa mãe que não quer o melhor para seu filho?

Mãe é carrasca de si quando diante de uma fatalidade da vida precisa escolher entre o bem estar de seu filho ou o seu, com certeza escolherá morrer se necessário, desde que seu filho viva e viva bem!

Mãe é alegria quando compartilha a felicidade de seus rebentos.Quando aprendem a sorrir, dar os primeiros passos, falar, ler e mais ainda quando entram para a faculdade, desejo de toda mãe. A cada avanço, é só comemoração. E quando se formam então?!  Mãe,nesses momentos são pura felicidade!

Essa é a mãe que habita todos os corações das boas mães em qualquer lugar do mundo.

Feliz dia das mães a todas elas e principalmente a minha mãe! 

Que Deus retribua todo o amor das mães fazendo seus filhos felizes, porque certamente esse é o melhor presente a nós, mães. Isso é resumidamente ser mãe!


🌹💐🌷