sexta-feira, 18 de maio de 2018

O AMOR DE MINHA MÃE: MEU PAI!

O CASAMENTO



     Minha mãe tinha apenas dezessseis anos quando o conheceu. Ele era um rapaz bonito, alto e namorador. Ela conta que ele andava léguas para encontrar-se com uma nova namorada. Galanteador,  fazia sucesso entre as moças da redondeza, mas com  a minha mãe,  essa muito difícil de conquistar, ele encontrou seu desafio.
    Minha avó, mulher de personalidade forte e de muitos filhos, claro que desejava casar a filha mais velha. Na época isso era muito comum: os pais arrumarem tudo para o casório das filhas.  Era costume casar as filhas cedo, começando pela primogênita. Ela,  minha avó,  gostara do moço: trabalhador, honesto, solteiro. Era um partidão para minha mãe. Não que ela, a minha mãe,  achasse isso. Mas não teve muito tempo para achar nada! Mal piscou, estava noiva. Minha avó combinou tudo com o moço. A ela só teve mesmo o gosto de confirmar. Vou casar! Fazer os gostos de minha mãe. Dissera ela.
     Em pouco tempo tudo estava consumado. Minha mãe casada com um homem que ela mal conhecia. Quase um estranho. A casa onde fora morar pequena. Mas ela não estava triste não. Pelo menos se livrara de cuidar daquele monte de irmãos e não tinha mais que fazer comida pra aquele montão de gente. Dos males o menor, agora sua responsabilidade era com sua casinha e com seu marido. Muito menos trabalho, sem dúvidas!E o amor? Bem esse viria com o tempo... Bem, com o tempo mesmo vieram os filhos...um...dois...três...

ASSINA MORGANA





  Conheça as obras da autora: 


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Maze Oliver





terça-feira, 8 de maio de 2018

MORGANA FADA - A MUDANÇA PARA A CIDADE - TEXTO 11


TEMPOS DE MANGA!

        Por volta dos meus nove anos minha mãe resolveu retornar para a vida na cidade. Eu precisava estudar e ela preocupava-se com meu desenvolvimento na escola. A experiência de eu morar com parentes na cidade não havia dado muito certo. Era preciso pensar em outras possibilidades.

     Meus pais venderam a colônia e retornamos com a bagagem em um caminhão. Eu ainda não sabia o que me esperava. Era muito pequena pra avaliar. Gostei da mudança, gostava da cidade. Era um mundo diferente: o trânsito, as pessoas, as ruas,  tudo me fascinava. Tudo era tão diferente da colônia!

    Hospedamo-nos na casa  de uma parente, enquanto meus pais organizavam a nossa vida. A Prima,  separou um quarto de sua casa e ficamos lá no aperto, com a bagagem do lado de fora numa espécie de área coberta. Passamos a compartilhar da vida e atividades da família hospedeira.
    Meu pai todos os dias saia para procurar trabalho e minha mãe ficava em casa comigo. A cidade não era lá essas coisas: cidade interiorana do Acre no final da década de  60. A principal atividade econômica ainda era o extrativismo,  porém a exploração da borracha estava  em crise e o homem da zona rural  evadia-se  para a capital,  causando o inchamento e  o início da  formação dos bairros de periferia em Rio Branco.  Foi neste CONTEXTO que meus pais mudaram-se com a esperança de melhorar  a qualidade de nossas vidas.

    Em poucos meses minha mãe já  falava que nosso dinheiro da venda da colônia se esvaiu. Meu pai não conseguiu trabalho e as despesas da casa foram consumindo o dinheiro pouco a pouco. Sem condições, sem emprego, sem casa pra morar e sem dinheiro algum; a fome começou a nos assolar, mas era tempo de manga!

   Os pés de mangueiras cheios de frutos espalhados por toda a cidade nos salvaram das dores da fome. Minha mãe conta até hoje que teve semanas do nosso café, almoço e jantar ser mangas.

     Meu pai aprendeu nessa crise o ofício de pedreiro, iniciando como aprendiz, mas logo, logo estava a trabalhar manuseando tijolos, chegando anos mais tarde a ser Mestre de Obras, uma espécie de chefe do setor da construção. Foi assim que ele sustentou a família nos anos vindouros até sua velhice. Meu pai foi um grande guerreiro. Minha mãe iniciou na costura para ajudá-lo na grande tarefa de me criar e a meus irmãos. Foi assim que cresci e aprendi que o trabalho dignifica o homem por mais pobre que ele seja.

ASSINA MORGANA





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Maze Oliver




quinta-feira, 3 de maio de 2018

MORGANA FADA - RUA DA MELANCOLIA, NÚMERO 100 - TEXTO 10


A CASA MELANCÓLICA


     A casa de alguém reflete os estágios de felicidade, tristeza, alegria de seus moradores. Lá ficam suas histórias, o crescimento pessoal, o caminho de cada um.  Nesse endereço imaginário que recriei na mente,  guardei comigo lembranças doces, tristes e principalmente melancólicas.

     A casa era pequena com cômodos  para nos acomodar: dois quartos,  salinha, varanda, banheiro e cozinha. Fora construída com muito sacrifício por meus pais no meio do terreno, pois na frente minha mãe sonhava com um jardim florido e bem cultivado. Quando mudamos não tinha ainda as janelas, pois estava inacabada. Eu com 17 anos concluindo o ensino médio, já pensava em fazer faculdade de Letras, tinha intenção de virar escritora, mas era só sonho mesmo!

     Após descobrirmos a doença de meu pai, que foi avançando lentamente por conta  dele não tomar a medicação indicada pelo médico (E aí entra sua mulher e companheira, minha mãe,  que não acreditava no diagnóstico e pasmem, jogava seus remédios fora), minha mãe a cada dia também foi adoecendo. Seu humor que já não era muito bom ficava pior à olhos vistos e sentidos. Ela sofria crises fortes de depressão.  Por muitas vezes ameaçou  se matar e nós filhos tínhamos que vê-la naquele sofrimento sem poder ajudá-la. Recusava médicos e remédios.

     O ambiente da casa virou uma melancolia só. Via-se a tristeza em cada canto da casa, uma sombra,  a nos espreitar e a nos dominar. Minha irmã bem adolescente escondia-se  nas leituras das conhecidas e românticas revistas SABRINAS que ela adorava. E meu irmão ainda bem pequeno passava seus dias a correr atrás de pipas divertindo-se ou fugindo daquele ambiente tenebroso! Ele com certeza entendia muito bem  o que estava acontecendo conosco.
     Minha mãe teve sua primeira grande crise quando meu pai ulcerou o corpo, ficando tomado de feridas horríveis. Nós morríamos a cada vez que entrávamos em seu quarto. Meu coração doia de amargura e infelicidade ao vê-lo daquele jeito, quase morto.   Essa foi a pior de todas as dores que vivemos. Meu pai morreu e nasceu várias vezes durante toda a sua vida!... E sempre de forma bem dolorosa.

      Dessa vez,  após várias crises de febre e úlceras que espalharam-se pelo seu corpo transformando-se numa chaga viva e quase única,  ele foi finalmente internado em um hospital. E nós ficamos em casa chorando sua sorte brutal, mas isso já  serão outros textos...

      Nós filhos, crescemos, sobrevivemos e nos mudamos de lá anos depois, já casados. A velha casa na Rua da Melancolia, número 100, está hoje praticamente abandonada. Ninguém da família quer ir morar lá. As lembranças são muito fortes. Mamãe a mantém alugada para render-lhe um dinheirinho,  após a morte de meu pai já velhinho aos 83 anos (e por outra doença, pois da Hanseníase ele ficou totalmente curado).

 ASSINA MORGANA


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quarta-feira, 2 de maio de 2018

MORGANA FADA - MEU VELHO, MEU HERÓI, MEU GUERREIRO! TEXTO 9




MEU PAI

     Era uma manhã de sol,  estava eu em minhas tarefas domésticas,  feliz a ouvir música e cantar enquanto lavava as roupas da casa. A canção era no rádio, ELTON JOHN, sucesso da época e que eu amava ouvir nas  paradas de sucesso das músicas mais tocadas do momento. O rádio era o objeto de amor da minha  casa,  pois não tínhamos outros tipo de som; nossas posses eram poucas, meu pai pedreiro e minha mãe costureira. O que ganhavam mal dava para o sustento da família e as despesas mínimas. Carne? Só comíamos no final de semana. Além do mais,  meu pai durante o inverno ficava quase sem trabalho e nas fase ruíns dele,  era minha mãe quem sustentava a prole.

     Eu não sabia que naquele dia minha vida estaria mudada para sempre. Marcada pela dor e pela agonia de minha família e que meu pai, meu herói e meu guerreiro seria atingido pelas intempéries da vida.

     No portão de minha casa um apito me chamou a  atenção. Fui receber e estranhei uma equipe toda de branco e um carro da saúde que chegara a minha porta, à Rua da Melancolia, número 100 (nome fictício, título que passei a sentir como meu enderêço, desde então!). Fui gentil, abri o portão e ofereci entrada e café. Uma das enfermeiras, creio que a coordenadora da visita, me abordou segura, após sua entrada na nossa sala e com determinação.

     - Já sabe da doença de seu pai, não é mesmo?

     Pega de surpresa e com vergonha por não saber de nada, afirmei com a cabeça que sim. E ela continuou:

     -Ele tem Hanseaníase! Mas está já em tratamento. Se tomar direitinho o remédio todos os dias,  não contagia ninguém! Trouxemos o remédio dele, pois há meses que não vai buscar! Queremos examinar a família para ver se tem mais alguém com alguma mancha.

     Meu sangue gelou em minhas veias! Senti quase que desfalecer. Meu paizinho com essa doença tão estigmatizadora na época: os doentes eram geralmente rejeitados, olhados como miseráveis e abandonados por seus amigos. Não é possivel! Pensei. Por quê ninguém me contou? Eu já fazia faculdade,  inteligente e boa leitora saberia ajudar minha família a enfrentar essa guerra. Por qual motivo  esconderam-me  algo tão grave? Enquanto pensava angustiada,  a enfermeira já fazia meu exame. Eu estava como uma estátua só me movendo a cada solicitação, branca e sem cor nos lábios, pois senti que meu sangue fugira de mim. Felizmente não achou nada no meu corpo. Ficaram de voltar pra examinar as outras pessoas (minha irmã e meu irmão), pois estava sozinha em casa naquele momento.
Entrei em colapso nervoso! Depois que sairam, chorei muito e fiquei aguardando minha mãe com meu pai chegarem,  para saber se tinham  algo a me explicar.

     Nessa época a medicina já descobrira o remédio para a cura da doença, uma sulfa que estabilizava a moléstia, em poucos meses de tratamento, sem sequelas ou contágios, o tratamento mesmo assim eram de longos anos. Alguns para o  resto da vida. E a doença tinha várias fases e tipos. Então dependendo do estágio e do diagnóstico,  o tratamento era diferenciado.

     No Acre, muitas pessoas haviam sido acometidas e o Estado estava com um trabalho muito bom de combate ao  Mal de Hansen, porém nem tudo era tão simples assim: as pessoas saudáveis não sabiam ainda lidar com essa novidade boa da medicina e a simples mensuração  sobre uma pessoa contaminada com a Lepra (a doença fora conhecida com esse termo pesado e estigmatizador) já lhes geraria uma segregação social. No passado, a saúde isolou os doentes em uma espécie de pousada ou colônia rural, onde ficavam separados da família, sem visitas e muito isolamento.  Por isso agora, mesmo  com o tratamento em casa as pessoas ainda tinham muito medo do mal. Talvez por isso meus pais tentaram  proteger-me, escondendo o fato do meu pai estar acometido. Iniciou aí um novo ciclo na minha vida e um novo desafio, dessa vez grandioso por demais, mas essa história não acaba aqui e ainda renderá muitos textos neste livro.

ASSINA MORGANA


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